Teresina pede respeito: entre barracos na Câmara e desgoverno no Palácio da Cidade
A capital do Piauí atravessa um dos momentos mais constrangedores de sua história política recente. Teresina, que esperava por uma retomada administrativa e por representações mais maduras e comprometidas, hoje assiste à desordem entre os vereadores e ao desgaste precoce da nova gestão da Prefeitura.
O que se vê na Câmara Municipal de Teresina beira o surreal. Brigas por vagas no estacionamento, discussões ríspidas, ofensas pessoais e a completa falta de decoro transformaram o legislativo da capital em um palco de disputas pequenas e desrespeitosas. É lamentável que os representantes eleitos para legislar e fiscalizar estejam mais preocupados com ego e vaidade do que com os problemas reais da população.
O mínimo esperado de um vereador é postura, compromisso com a coletividade e respeito ao cargo que ocupa. Quando isso é substituído por picuinhas e desentendimentos grotescos, perde-se a essência da função pública e, com ela, a confiança do povo.
No Executivo, o cenário também é preocupante. Em apenas seis meses de governo, a Prefeitura de Teresina já enfrenta denúncias de irregularidades em contratos, suspeitas de má gestão de recursos e um comportamento instável por parte do chefe do Executivo. A recente discussão acalorada entre o prefeito e um grupo de ocupantes de terra expôs não apenas a tensão social na cidade, mas também a falta de preparo emocional e político para lidar com situações delicadas e complexas.
Teresina elegeu, democraticamente, 29 vereadores, um prefeito e um vice na esperança de superar o caos herdado da gestão anterior. A promessa era de mudança, de retomada da organização urbana e de políticas públicas que colocassem o cidadão no centro das decisões. Contudo, o que se observa até agora é um cenário de decepção generalizada, com muitos eleitores já expressando arrependimento pelo voto depositado.
O povo de Teresina merece mais. Merece ser tratado com seriedade, com responsabilidade e com dignidade. O momento exige reflexão, mas, acima de tudo, exige atitude. É preciso que vereadores e gestores municipais compreendam que o mandato não é um privilégio, mas uma missão pública. A cidade clama por equilíbrio, compromisso e, sobretudo, respeito.
Por Zezo Freittas
|
|
|
|
Tags:
Comentários
Artigos relacionados
Mudanças no vale-alimentação devem ser anunciadas em outubro
Ministro diz que aguarda mediação com empresas envolvidas
leia mais